Imagem PELE DE PEIXE CURTIDA APLICADA A ACESSÓRIOS DE MODA MASCULINA

PELE DE PEIXE CURTIDA APLICADA A ACESSÓRIOS DE MODA MASCULINA

In: APEDA

 

Malas, carteiras, mochilas são alguns dos acessórios de moda feitos em coro nacional pela Saccus. A marca alia técnicas de ofícios tradicionais ao design moderno e utiliza materiais portugueses como a cortiça, o burel e a pele de peixe como elementos decorativos. Paulo Pereira, o criativo da empresa, diz que o objetivo é conquistar o segmento masculino e acredita que os portugueses valorizam cada vez o design aliado à tradição.

A pele de peixe curtida já existe no mercado e o designer Paulo Pereira rapidamente deixou a sua criatividade aplicar este novo material português nos acessórios de moda que desenha há um ano sob a marca Saccus.

A ideia de fazer curtume a partir da pele de peixes como o bacalhau nasceu com Daniel Guimarães, responsável pelo Departamento de Investigação e Desenvolvimento da Soguima, uma empresa do concelho de Guimarães dedicada à transformação e comercialização de produtos de pesca.

Da atividade da Soguima, ficavam sempre excedentes como a pele de peixe. A pensar na sustentabilidade, Daniel lembrou-se de aplicar à matéria-prima a mesma técnica utilizada ao longo de séculos na pele de animais como a vaca para fazer curtume. Nasce assim um novo material com assinatura portuguesa.

Paulo Pereira, o designer, soube da novidade e falou com Daniel. A junção das duas empresas foi um processo simples e no mercado já estão pastas e carteiras que aliam a pele dos animais que andam na terra, o coro, e daqueles que vivem no mar, o curtume de pele de peixe.

«A Saccus começou em 2013, quase como uma brincadeira. Temos acessórios de moda para um segmento masculino que quer peças de uma forma descomprometida, ou seja, não temos peças muito clássicas», conta Paulo Pereira.

A missão da Saccus é aliar técnicas de antigos ofícios ao design contemporâneo, por isso, Paulo trabalha em parceria com alguns artesãos de Lisboa e Norte do país. Desenha as peças e entrega-as a estes artífices que dão forma às ideias do designer.

Assim, nascem malas, mochilas, cintos, capas para dispositivos informáticos e outros artigos feitos de coro nacional, com burel, a lã utilizada nas capas dos pastores da Serra da Estrela, cortiça, algodão e linho. Na última coleção juntou-se a pele de peixe e na próxima, a sair em janeiro de 2015, Paulo garante que haverá novidades nos materiais.

Paulo Pereira, responsável criativo da Saccus, considera que em Portugal há mercado para estes produtos de artesanato contemporâneo e salienta que internacionalizar a marca «é incontornável. A economia nacional pode vir a ganhar muito com este esforço de aliar o contemporâneo ao tradicional. O mercado nacional está a despertar para estes projetos», diz.

Paulo acrescenta ainda que «o mercado nacional tem um leque pequeno de clientes que possa adquirir estes produtos, mas o público existe. Penso inclusive que pode crescer porque as pessoas parecem estar mais estão mais vocacionadas para comprar menos, mas comprar com valor estético, materiais qualidade».

Em Portugal, a Saccus está numa loja do Porto e outra em Lisboa. Lá fora, o Reino Unido já comercializa produtos da marca.

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